A cana de pesca…digital!

Por inúmeras vezes ouvimos os políticos afirmarem em relação a países pobres com economias inexistentes e na maior parte das vezes no limiar da pobreza, que não se lhes deve dar o peixe, mas sim ensiná-los a pescar.

Hoje pensei nesta parábola e creio que ela se aplica na perfeição ao Software Livre (FLOSS) especialmente nesses mesmos países, ou até em países desenvolvidos mas onde existem enormes discrepâncias entre ricos e pobres, como no nosso país ou mesmo na américa latina; Brasil e Venezuela vêm logo à cabeça.

A verdade é que o FLOSS é a cana de pesca da era digital em que vivemos.

Essa cana de pesca digital tem algo ainda mais espantoso é que pode abarcar todos, ricos e pobres, ambos têm acesso a ela, ambos a podem usar sem limitações, ambos a podem melhorar, fazer evoluir, e no fim ambos recolhem o mesmo peixe, ou seja, ambos beneficiam das melhorias introduzidas por qualquer um dos grupos.
Aliás os grupos, os pobres e os ricos, nesta pescaria digital esbatem-se, estão ambos em igualdade ou quase, a única limitação desta cana de pesca é a inteligência e a criatividade.

Felizmente que em alguns destes países se fomenta o aparecimento de pescadores digitais, como são os casos do Brasil e Venezuela bem como cada vez mais países da Europa de Leste e até países ricos como a Alemanha, França e Holanda entre outros.

Infelizmente o nosso país prefere seguir o ditado “faz o que eu digo não faças o que eu faço“, e como tal podendo criar grandes pescadores e a qualquer momento no futuro ter uma frota de barcos livres prefere hipotecar o futuro dos nossos pescadores digitais preferindo bloquear a todo o custo a utilização da cana digital, quer ao não divulgar a sua utilização quer ao beneficiar empresas como a microsoft em inúmeros protocolos que só a ela e não ao país beneficiam.

Mais, ao não fomentar a sua utilização e descoberta, os nossos governantes estão a matar ainda no berço os pescadores digitais do amanhã, sim, porque já no presente se vislumbra um futuro muito pouco risonho para o nosso país comparando-o com outras economias, nós mais uma vez poderíamos inovar, criar, estar à frente, ser os novos descobridores digitais, mas infelizmente não o somos, e tudo porque não apostamos na cana digital.

Neste momento o FLOSS tem todas as ferramentas necessárias para os nossos jovens poderem desenvolver todo e qualquer software multiplataforma a custo práticamente nulo, o único custo é o hardware e a vontade, ou não, de aprender.

Faço votos para que os políticos do nosso país pensem realmente naquilo que dizem e fazem e não sejam hipócritas ao dizer como os outros se devem desenvolver e depois não aplicam essa mesma “receita” no seu próprio país.

Algumas medidas que o nosso país poderia optar por fomentar:

1. Só aceitar formatos de ficheiros abertos em toda a administração pública, como o implementado pela OASIS e standard internacional ISO, o formato ODF usado por exemplo pelo OpenOffice.org e Google.

2. Fomentar a forte utilização e massificação de FLOSS no ensino, em todos os graus.
É aqui que se começam a criar os pescadores digitais, é aqui que se criam mentes supostamente críticas e que conseguem escolher em função da qualidade e não da propaganda.

3. Só aceitar fazer protocolos, assinar contratos de prestação de serviços, com empresas que usem e fomentem quer protocolos de comunicação quer formatos de ficheiros abertos e livres, de preferência.

4. Cuidar para que não aconteçam casos como o da comissão técnica CT-173 em relação ao formato fechado da microsoft, ooxml, o qual foi aprovado em Portugal de forma muito pouco transparente e quem sabe até ilegal, onde a empresa microsoft que propunha o formato presidiu à comissão que se iria pronunciar sobre ele.

5. Fazer sempre quer interna quer externamente na UEuropeia lobby CONTRA as patentes de software.

6. Encetar conversações com as empresas portuguesas de hardware para que estas vendam hardware sem nenhum sistema operativo pré-instalado de forma a ser o cliente a decidir o que quer usar.
Foi pedido à própria UEuropeia esta possibilidade, que nada mais é que voltar a colocar todos os produtores de Sistemas Operativos em igualdade.

Em França há pouco tempo a Acer foi processada por um utilizador que se recusou a pagar software que não ia usar e que vinha com o portátil que adquiriu, o tribunal deu-lhe razão.
Aliás a própria licença da microsoft que vem com todos os PC’s que se adquirem, quer Desktop quer Portáteis etc, indica que o utilizador pode recusar essa licença e devolver o software.

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