A razão para o sucesso dos sistemas da microsoft, Monocultura e desrespeito por tudo e por todos



O que impede que mais pessoas usem com mais à vontade e em maior número outros sistemas operativos especialmente os Livres como
GNU/Linux, PC-BSD, Desktop-BSD
(baseados em
FreeBSD)  os proprietário MacOSX, QNX, etc, passando pelas promessas que foram o BeOS e já são o Haiku entre outros?

Afinal de contas as pessoas não tem problemas em usar diversos sistemas operativos em telemóveis de diferentes marcas, não têm problemas em usar diverso software em televisões, leitores de DVD e até máquinas de lavar, etc.

Creio que a resposta é só uma, a habituação a uma MONOCULTURA de sistemas operativos e algumas aplicações bandeira da micro$oft bem como as habituais artimanhas desta usando o seu poder económico, protocolos e ficheiros fechados de modo a manter os utilizadores numa perpétua dependência dos seus produtos.

Eu comecei a usar computadores num tempo em que para além de existirem diferentes arquitecturas existiam tantos outros sistemas operativos que as equipavam, desde o meu primeiro micro-computador, um Timex2068 com as suas cassettes, passando depois pelos Amiga e Commodores de colegas de escola, até chegar ao meu primeiro PC, um Cyrix 486 cuja vírgula flutuante era um desatre, precisando de um co-processador matemático.
Nesses tempos idos, o DOS era rei, embora nunca o tivesse usado, parece que o CP-M, o pai do DOS, também era muito bom e mais avançado.
Usei diversos DOS, desde o da microsoft (uma versão comprada do QDOS), passando pelo PC-DOS da IBM e acabando no meu favorito e mais avançado, o da Digital, o DR-DOS do pai do CP-M.
Nunca usei o FreeDOS, o qual é livre e cheio de features, incluindo rede.

https://i0.wp.com/images.pcworld.com/reviews/graphics/139100-timexSinclair2068.jpg(foto pcworld)

Como afirmo acima passei por diveras arquitecturas e sistemas, isso só me enriqueceu, aliás quando se aprende a usar um computador, já temos meio caminho andado para qualquer outro tipo de sistema, quer de arquitectura/hardware quer software.
As bases estão lá mesmo que o funcionamento seja algo diferente.

Termino dizendo que o problema da MONOCULTURA microsoft é que esta destroi a literacia que os utilizadores podem ter.
Em vez de aprenderem conceitos como antigamente faziam, agora limitam-se a aprender produtos da marca x, y ou z, e nesta MONOCULTURA de novos iliterados da computação tem vantagem quem detém um monopólio e que tudo faz para este se perpetuar, nem que seja recorrendo ao jogo sujo, que infelizmente a microsoft sempre usou.

O mais interessante nisto tudo é que mesmo a microsoft neste momento já está a provar do seu próprio veneno, exemplos são o ms-windows-vista e o novo ms-office2007, que os utilizadores detestam e têm dificuldades em usar e em se habituarem À nova forma de fazer.

Não compensa ensinar produtos, temos de ensinar e fomentar conceitos.

{baseado neste post do slashdot}

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4 Respostas

  1. Boas,

    Em relação a este assunto gostava de chamar a atenção para uma coisa que prezo muito (GENERAL PURPOSE COMPUTING) e que considero estar intimamente relacionada:

    Um PC, ao contrário dos telemóveis, televisões ou consolas, é um sistema de uso geral; Costumo dizer que, ignorando a limitação computacional, um PC é uma máquina de emular o que quisermos. Ora sendo uma máquina tão geral, torna-se muito mais complexa de operar que qualquer outros dos dispositivos de uso específico, cujo conjunto de funções utilizado em massa (utilizado pelo “Zé Povo”) é bastante reduzido:fazer chamada, lista telefónica(?), mudar o canal, teletexto(?)A, Play, Stop e Rewind, etc. Para além de reduzido, o conjunto é estático por dispositivo, e os conceitos por trás das funcionalidades também são praticamente estáticos no tempo (mudar de canal numa TV é igual à 20 anos, o mais que mudou foi o acesso sequencial!).

    Ora num PC, logo há partida (mesmo com um DOS) o conjunto é gigante, e com alta probabilidade de ser altamente dinâmico (instalar programas, dispositivos externos, etc). Para alem disso, os conceitos que estão por trás não são tão fixos pois estão constantemente a serem alargados com mais e mais funcionalidades (seja uma office suite/uma webapp/um kernel/…).

    A este emaranhal, junta uma maldição feita à matemática (a nível mundial): consegui-se fazer desta disciplina tão lógica um bicho papão de 7 cabeças que come cérebros de criancinhas. Ora esta disciplina é muito boa para desenvolver lógica e reconhecimento de padrões (resolução de puzzles), essencial para perceber o raio da máquina abstracta que virtualmente faz tudo.

    Ora então a mono cultura de ignorância* promovida pela ms (e sonhada pela Apple, que é uma fundamentalista neste aspecto) é ideal para colmatar a infinita complexidade do PC. E, tal como na matemática, as pessoas só vão perceber qual a diferença, ou porque é que não está certo ou que não sabem o que é, quando experimentarem com outro problema, ou formularem o mesmo problema de outra forma.

    Nós, os curiosos pelo assunto, não podemos ser amostra… pois já temos um interesse extra que nos move (a tua experiência rica de pouco vale: tu tens a motivação extra). Por isso mesmo que gostemos muito do nosso Pinguim, Diabo ou GNU, é complicado explicar a necessidade dos outros (sem interesse) de gastarem energia em aprender coisas novas. Por vezes penso que gostava que as leis vigentes fossem mais aplicadas pois nesse caso, as pessoas entenderiam melhor a necessidade do software livre/ cultura livre a nível pessoal.

    Acabo apelando à continuação da existência das máquinas de uso geral! Tenho medo que um dia, me apareça um EULA para usar o hardware dum PC. Ou que para simplificar a vida ao Zé Povo, a coisa fique restrita a ambientes tipo telemóvel/ SO via net/ etc…

    *ignorância> chamo cultura de ignorância quando se promove uma caixa negra mágica que o utilizador nunca seria capaz de compreender e que “nós”, proprietários, viemos para salvar o utilizador (burro/estúpido/ignorante) e pode-lo ajudar a utiliza-la.

    PS: esse screenshot está muito giro

  2. boas gil

    “E, tal como na matemática, as pessoas só vão perceber qual a diferença, ou porque é que não está certo ou que não sabem o que é, quando experimentarem com outro problema, ou formularem o mesmo problema de outra forma.”

    por essa razão é que a monocultura não é positiva, nem seria positiva a monocultura do GNU/Linux, diversos sistemas é que permitem às pessoas aprenderem e permitem a esses mesmos sistemas evoluirem, sem concorrÊncia quase que não existe motivação para criar algo novo e melhor, ou pensar de forma diferente levando a novos conceitos.

    rjnunes

  3. […] tempos escrevi aqui numa entrada do blog que o verdadeiro problema das pessoas se afastarem dos produtos da microsoft e de experimentarem […]

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