Câmara Municipal de Odivelas e o uso de Software Livre

Estes dias têm sido interessantes, depois da minha resposta à Sra Presidente da CMO através de um mail em que incentivava a CMO a apostar no uso de Software Livre e após a resposta da sua Chefe de Gabinete, recebo agora um mail do Gabinete de Informática e Sistemas de Comunicação da CMO, com esclarecimentos sobre o uso de Software Livre por parte desta câmara.

Fico satisfeito que para além da CMO estar a usar FLOSS, parece que o seu GISC esteja atento e disponível bem como acolha com bons olhos a utilização de Software Livre por parte das entidades públicas deste país, nomeadamente a CMO.

Mas melhor que eu explicar o que foi dito, aqui ficam algumas partes interessantes do mail.

Recebi do Gabinete da Sra. Presidente da Câmara os Mails que tem enviado com alguns conselhos valiosos sobre a utilização de Software Livre.

Partilho com o Sr. a ideia da importância de avançarmos, cada vez mais, com a utilização deste tipo de software open source, até por razões de significativa poupança financeira.

Quando fizemos referencia á nosso plataforma Web de partilha de informação PDM para utilização do grupo de trabalho que está a tratar deste assunto, não estávamos a falar do endereço http://www.cm-odivelas.pt/extras/pdm/index.htm Neste caso, trata-se de um site de utilização restrita, suportado em Joomla e assente em Apache, MySQL e PHP.

Quanto ao site principal da CMOdivelas é verdade que ele é suportado actualmente em Windows e não em Linux (…)

Da nossa parte é sempre com muito agrado que recebemos as opiniões e sugestões dos nossos Munícipes. Estamos a procurar, cada vez mais, evoluirmos, sempre que possível, para utilização de software livre. Aliás, são essas as orientações que temos dos nossos responsáveis políticos. Mas como compreende trata-se de processos complicados, quer do ponto de vista técnico, quer, sobretudo, por razões de carácter cultural/organizacional.

Pessoalmente estou convicto que a evolução para o open souce não só é inevitável como desejável.

Já agora aproveito para deixar aqui o mail que enviei de resposta:

Agradeço desde já o seu esclarecimento e o seu entendimento que a utilização de Software Livre por parte da Administração Pública do nosso país e mais especificamente por parte da CMO, a todos beneficia, inclusivé os nossos técnicos informáticos e programadores/engenheiros, no fundo as TI do país.

Creio que teve oportunidade de ler a interessante matéria que a revista Semana Informática nos trouxe sobre o uso de FLOSS pelas empresas portuguesas bem como o estudo levado a cabo pela UMIC, que demonstram bem as vantagens e as possibilidades que o uso de FLOSS poderia trazer à nossa economia.

http://www.umic.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=3169&Itemid=161
http://www.semanainformatica.xl.pt/909/est/100.shtml

Relembro ainda o caso da Estremadura espanhola e do desenvolvimento baseado em Debian e no seu filho mais novo, o Ubuntu, do seu Linex e de como esta versão espanhola de GNU/Linux tem vindo a ser implementada pela região com excelentes resultados, desde escolas, APública, hospitais etc, tendo nas escolas conseguido a proeza de ter 1 pc por
cada dois alunos ao poupar 20milhões de euros em licenças conseguiu adquirir mais hardware.
http://www.youtube.com/watch?v=717s8XC2dCE&fmt=18

A partir desse projecto dos nossos vizinhos, nasceu o projecto Alinex português da Universidade de Évora, também ele baseado em Debian/Linex/Ubuntu, porque as diversas Câmaras do nosso país não se reunem num consórcio e desenvolvem e apoiam esse projecto, só tinham a beneficiar e a poupar, porque não dá a CMO o primeiro passo para tal?

Se me permite digo-lhe ainda que a empresa portuguesa que quase todos nós conhecemos e já lá comprámos algo, a Radio Popular usa em toda a sua infraestrutura GNU/Linux e OpenOffice, basta ir a qualquer loja desta empresa e conferir com os seus próprios olhos, desde as caixas (POS) até aos pc’s espelhados pela loja e que são usados pelos
seus empregados usam GNU/Linux.

Compreendo que a CMO tenha de ir com calma nestas implementações, mas existem algumas que são relativamente pacíficas e que podem desde já começar a ser implementadas, ainda para mais quando o software é multiplataforma, como são o caso do Mozilla Firefox e Mozilla Thunderbird, em vez dos inseguros ms-IE e ms-Outlook, bem como do
Openoffice.org que até possui dicionários e versão em Português e que substitui sem problemas o ms-office com a vantagem de usar o formato ISO, ODF o qual a UEuropeia defende que seja usado e que está a ser implementado um pouco por toda essa Europa, França, Holanda, Alemanha, Filandia, etc etc.

http://abretesw.blogspot.com/2008/10/comunidade-portuguesa-do-openofficeorg_13.html

Outra situação que poderia melhorar os vossos serviços mesmo a nível das bibliotecas seria testarem e começarem projectos piloto com o software livre para bibliotecas, o GNUTeca – http://www.gnuteca.org.br/ – que sendo de origem Brasileira poderia até ser mais fácil a sua implementação.

“O software é aderente a padrões conhecidos e utilizados por muitas bibliotecas, como o ISIS (Unesco) e o MARC21 (LOC – Library Of Congress).
Por ter sido desenvolvido dentro de um ambiente CDS/ISIS, o Gnuteca prevê a fácil migração de acervos deste tipo, além de vários outros.”

Outra situação seria o uso de Software Livre na retaguarda dos sistemas informáticos da câmara, não sei se já o usam e se fosse possível gostaria de saber se sim, como em firewalls, proxy, web servers, mail servers, podendo desde logo substituir o ms-exchange que acredito que usem pelas vantajosas versões livres como o caso da Zimbra, Scalix e Open-Xchange.
https://ovigia.wordpress.com/2008/10/09/wiki-com-substitutos-open-source-do-m-exchange/

Para terminar e se me permite deixo-lhe aqui alguns documentos interessantes sobre a implementação de Software Livre, desde logo o excelente e sempre actualizado estudo de David Wheeler .

http://www.dwheeler.com/oss_fs_why.html – estudo de David Wheeler sobre o TCO

http://www.linuxpromagazine.com/online/blogs/paw_prints_writings_of_the_maddogmicrosoft_admits_that_tco_for_developing_nation_s_schools_is_same_for_linux_and_windows – artigo de John Hall sobre os custos reais

http://osor.eu/ – notícias sobre o uso e implementação de FLOSS na Europa

Guia de adopção de Open Source para PME’s

Para terminar apenas quero mencionar que não é só o GNU/Linux que é Software Livre de qualidade, os diversos BSD e até o OpenSolaris são excelentes, nomeadamente para servidores, esperando que cada vez mais a CMO deixe de estar prisioneira de um único player que ainda por cima não cumpre padrões.

Agradeço a sua disponibilidade,

Para terminar e como adenda relembro este interessante artigo de Gustavo Homem da empresa Ângulo Sólido relativamente à integração de GNU/Linux com aplicações ms-windows.

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Uma resposta

  1. […] E que tal as nossas Câmaras Municipais em conjunto com o projecto Alinex, ele próprio um projecto nascido em colaboração com a Região da Estremadura Espanhola, se juntarem e desenvolverem em conjunto o Sextante? […]

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