Ausência de Prioridades num país à beira do desastre

Hoje deparo-me com duas notícias que demonstram bem o estado em que este país se encontra e que demonstram bem as prioridades da escumalha que nos desgoverna há muitos anos.

O Ensino Superior está à beira do colapso, num país como o nosso, atrasado e com apenas cerca de 10% de pessoas com cursos superiores, onde se deveria obrigatoriamente investir fortemente em todos os níveis do ensino, as notícias são que “As universidades portuguesas correm o risco de não ter dinheiro para pagar os salários até ao final do ano, alertam os reitores numa carta enviada ao ministro do Ensino Superior, José Mariano Gago.” e ainda que “No Instituto
Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL), por exemplo, os alunos que no
último ano deixaram de se inscrever nos cursos, duplicaram face ao ano
anterior. Segundo informações prestadas ao DN pelo departamento de
acção social daquele instituto, a taxa de desistências ronda
actualmente os 30 por cento. Há, no entanto, quem assegure que ali a
percentagem de desistências é su- perior, da ordem dos 50 por cento.”

Em relação ao ISEL mas presumo que o mesmo se passa noutros Politécnicos bem como Universidades, temos o descalabro das contas, mesmo com situações tão ridículas e caricatas como a que contei há meses contei sobre o que me ocorreu quando tentei regressar ao curso de Engª Civil.

Mais uma vez e num país que necessita urgentemente de pessoas qualificadas especialmente nas áreas cientificas, onde tudo se deveria fazer para que as pessoas não abandonassem os cursos ou para que regressassem e os acabassem, opta-se pelo contrário, ou seja, dificultar ao máximo o seu regresso ou forçar o abandono.

A Tesouraria do ISEL após eu já ter pago 60€ pelo pedido de reingresso, tem a distinta lata de me pedir 150€ por um papel, a que dão o pomposo nome de “Plano de Estudos”, onde supostamente constariam as cadeiras que eu já havia feito.

Mas porque raio tenho eu como aluno do ISEL pagar aquele valor ainda por cima já pertencendo à actual licenciatura de 3 anos (Bolonha).?!
A minha informação está toda lá, as cadeiras não se alteraram, não fiz nenhuma transferência de Universidade ou Politécnico, porque raio tenho eu de pagar 150€ por um papel que em nada muda a minha situação, por um papel que por e simplesmente não interessa para nada!?

Escusado será dizer que me recusei a pagar!
Perdi os 60€ da inscrição e ainda hoje não regressei para terminar o curso, nem creio que o faça se este verdadeiro atentado à minha inteligência e ao meu bolso persistir.

Toda a história ao pormenor aqui nesta entrada, Ensino Superior em Portugal…A minha história de terror!!!!, e pelos vistos não fui caso único.

Podemos pois neste país gastar milhões em estádios de futebol para equipas que estão todas na falência, para regiões que nem sequer têm equipas, como o caso do Algarve, podemos gastar milhões num estádio do Boavista, onde anda essa equipa.?!

Podemos gastar milhões em licenças de software para os cofres da microsoft (10Milhões de euros), enquanto que por França a Polícia pouca 50Milhões e euros com a implementação de soluções livres e a Alemanha o mesmo.

Podemos continuar a ser dos países da Europa onde menos se usam genéricos implicando gastos exorbitantes e desnecessários, onde a unidose é apenas uma miragem, mas no entanto eu e muitos outros estamos à espera de uma cirurgia à meses e mesmo anos, onde doentes oncológicos morrem sem tratamento condigno.

Podemos ainda pensar em mais desperdicio e mau gasto de dinheiros públicos em mais faustosos empreedimentos suicidas como o TGV e os aeroportos de Lisboa e de Évora.

No entanto, apostar na Educação, Justiça, Saúde, investir com cabeça nestas áreas não são prioridades para estes senhores, nomeadamente para um senhor que nem temos a certeza como terá supostamente terminado a sua licenciatura e que está envolvido em tantos casos mal explicados que só por isso há muito se deveria ter demitido.

Mas ainda assim e com tudo isto, ainda não atingimos o fundo, caros concidadãos, tenham muito medo quando os milhões que todos os dias ainda nos chegam da UE acabarem, é que aí haverá muita fome e desgraça neste país.
Um país que teve tempo e fundos para se preparar e que os destruiu com o compadrio, nepotismo e clientelismo.

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8 Respostas

  1. Em Espanha há menos licenciados (percentualmente, é claro) do que em Portugal, e não é esse factor que os impede de serem mais ricos, dinâmicos do que nós. Portugal forma licenciados e depois não há emnpregos para todos, é só vermos as estatísticas.
    Deixa a demagogia de lado e analisa os números como eles são.

    • gostava de ver esses números, é que pode haver menos licenciados, mas se calhar têm um ensino técnico eficiente.
      não digo mais pq desconheço!

      o problema é que Portugal forma licenciados que há muito o país não necessita, como os milhares de advogados, economistas, gestores entre outros.

      Portugal necessita é de ter muito mais técnicos superiores nas áreas cientificas, são essas áreas que levam o país a produzir e não a área de letras.

  2. Tens (têm todos os alunos do superior) toneladas de razão!! Creio bem que neste assunto (como em tantos outros) andamos à deriva há mais de 3 décadas, senão vejamos:
    1) Antes do 25/4 maioritariamente só prosseguiam os estudos (clássicos) quem fosse filho de… médico; advogado; engenheiro; arquitecto; etc… os demais ficavam-se pelas escolas industriais e comerciais… ou com alguns anos da primária, ou nem isso.
    2) Após o 25/4 acabaram-se os cursos industriais e comerciais e foi tudo ao molho e fé em Deus, via formação única, tendencialmente gratuita, mais os famosos ad-hoc. Conclusão: nunca se reformou todo o ensino (desde a primária ao superior) porque não houve interesse. Ponto final. Apostou-se em remendos aqui ou acolá, uma mistela entre cursos (e cadeiras) superiores clássicos e a pouca preparação no básico e secundário.
    Basicamente não houve inovação (ou se houve foi mínima), porque a maioria dos catedráticos nem sequer possuía formação para tal. Basta ver pelas áreas directamente ligadas às novas tecnologias (vocacionados para a web ou não), as quais só há bem pouco tempo se implementaram e mesmo assim com imensas lacunas quer a nível de opções, quer a nível de formadores e respectivas horas práticas, para não mencionar a enorme confusão (informática) entre por exemplo um programador e um criativo, para não mencionar a questão do soft proprietário. Em suma, sem docentes com formação exclusiva nestas áreas todos os cursos acabam por se evidenciarem insossos, com poucas mais-valias, logo a grande adesão inicial dos alunos acaba por deprimir e daí as elevadas taxas de desistência.
    Há também que somar aspectos logísticos de enorme importância e que pesam muito nas decisões (bolsas dos pais) dos alunos, por exemplo: uma licenciatura X pode apenas existir em determinada Universidade no norte, o que obrigará ao aluno residente no sul, ter de fazer contas à vida, para pagar propinas (cada vez mais altas), residência (nem todas as instituições têm capacidade para receber todos os alunos nos seus campus) o que obriga a alugueres de casas/quartos + comida, etc…
    Muitos alunos fazem tremendos sacrifícios para conseguirem levar a bom termo estas “aventuras”… nem sempre bem sucedidas, em termos de estágio e/ou emprego.

    Relativamente ao Pº Bolonha suponho que o assunto seja mais adequado à “sci-fi”, dado que adormecemos um dia com licenciaturas de 5 anos e acordámos no “day after” com licenciaturas de 3! Basta ver que no ano da suposta “implementação do processo B.” muitos alunos inscreveram-se ainda em lic. de 5 anos, sem qualquer informação/noção acerca do que se iria passar nesse mesmo ano e seguintes. Enfim, em apenas um ano (lectivo), dos supostos 10 que havia para a bendita implementação, todas as faculdades adoptaram Bolonha com pompa e circunstância. Foi rápido e nem por isso indolor (embora o processo só esteja finalizado em 2010), o que é facto é que basicamente a reorganização de todo o processo formativo em torno de novos valores, competências, conteúdos… ficou pela intenção.
    Sei, por ex. de politécnicos e há rumores que até a própria fbaul, reduziram, ou substituíram cadeiras nos 4º e 5º anos, por mera questão logística, i.e, dificuldade de coordenar troncos comuns entre os alunos Pré e Pós-Bolonha (daí os tais 150€, penso eu de que…), tendo-se inclusivamente registado casos de dispensa de projectos finais. O que leva à questão: que raio de lic. são estas, sem projecto final, sem estágio e sem mestrados integrados, reduzidas à simples contabilização mínima de 180 ECTS?! Mau, muito mau! 😦
    Por outro lado, também sabemos como a maioria dos discentes saudou as licenciaturas de 3 anos, em vez de se terem batido pelos 5.😦 Se tivessem todos em peso exigido a continuidade do plano de estudos conforme se candidataram/inscreveram, agora não estariam com um canudo nas mãos que praticamente os coloca em “nenhures”.
    No meio de tudo isto, convém também não esquecer que entretanto a antiga saída – dar aulas – no básico e secundário, já era….! Agora as Escolas Superiores de Educação rulam! Outro hoax, tanto no que respeita a competências, como conteúdos, docentes, objectivos e por aí… na realidade as ESEs não são mais do que veículos de formatação dos novos profs pró sistema, robotizados q.b.!
    Ficou bem evidente que pelo caminho ficaram a formação e entendimento do quadro docente sobre o que é (deveria ser) verdadeiramente o processo de Bolonha. Porém, Bolonha dá um jeito do caraças às escolas, porque as horas efectivas de aulas (horas de contacto) diminuíram imenso, baixando os custos com o corpo docente (embora a carga de trabalho se mantenha). Mais complicado é os profs adaptarem-se a este regime, principalmente nas unidades curriculares teóricas, onde estavam habituados ao teste e trabalho final e agora são incapazes de fazer cumprir as horas de trabalho fora das aulas dos alunos, preferindo manter tudo na mesma…ou seja, mudou o nome, diminuíram as horas, mas o resto mantém-se! Pelo meio ainda há o e-learning ou misto. O que ainda reduz mais os encargos às escolas, mas não aos alunos, claro, embora potencie o tal aluno do Sul que pretende frequentar um curso do Norte!😉

    Quanto à tendência pós 25/4 do ensino gratuito, já era! Hoje no público paga-se ano/1º ciclo, cerca de 900/1000€ o que significa um total de 3000€ só em propinas. No privado/1º ciclo, paga-se cerca de 53/60€/cada ECTS, o que dará sensivelmente 10500/12000€ (incluindo candidaturas, matrículas, etc). No 2º ciclo público/ano – 1500/2000€, enquanto no privado (os 2 anos pagos antecipadamente!!!) podem rondar os 5000€/7000€ por enquanto (bem mais se for na Católica), enquanto a maioria da população estudantil não avançar para os 2º e 3º ciclos (com a crise nem vai avançar, conforme se pode verificar pelo número de cursos que não arrancaram em 2007/2008, ou 2007/2009, respectivamente, 1º e 2º ciclos).
    Mas, a coisa não se fica apenas pela questão financeira. Há que referir também os próprios Planos de Estudos (independentemente da vertente educação ou não) que na sua maioria não dizem nada, ou quanto muito constata-se o arrasto de disciplinas do 1º para o 2º ciclo, sobretudo na vertente do multimédia. Quantos cursos avançados e devidamente reconhecidos existem por exemplo em design multimédia? Dois ou três no país todo. E quanto a saídas profissionais? No país que temos o objectivo primeiro é sempre o ensino. Para ajudar ao caos proporcionado pelo processo Bolonha, agora que é moda – as novas tecnologias – há “resmas” de professores a abarrotar as poucas ofertas e vagas no público, mesmo que não tenham tido formação inicial na área (qualquer lic serve!) e a fim de progredirem na carreira (prof titular), na mira está o 2º e 3º ciclo de estudos na vertente educação e multimédia, «porque até é giro e parece fácil, e tenho jeito… bla, bla, bla», impossibilitando-se assim a entrada e o prosseguimento normal dos estudos aos mais novos que ficam a marcar passo, enquanto os mais velhos concluem os respectivos graus académicos “pagos”.
    É verdadeiramente inconcebível! Uma vergonha!
    Afinal, o tal “menos estado” na área da educação, tem apenas a ver com privatização (ui e os rankings?), mais subsídios chorudos para os colégios e universidades privadas, aumento brutal de propinas e praticamente voltamos a 24/4 de 74, quando apenas determinadas elites podiam frequentar o ensino superior, enquanto os demais se ficavam pela 4ª classe (os que lá chegavam!), enquanto outros mais aburguesados conseguiam enveredar pelas escolas comerciais e industriais. Agora que nem essas existem e dos técnico-profissionais é o que se sabe – outro pote de ouro para alguns chicos-espertos – resta o superior somente para alguns, para os que ainda possam hipotecar-se (sim, porque o sócretino lembrou-se da concessão bancária de empréstimos aos universitários – com aval do estado!).
    Como já vai longo, nem falo “nos maiores de 23”! ;|

    Não desesperes e força, vai em frente!
    Tem uma boa semana.😉

    • boas ana,

      shiiiiiiiii isso é que foi escrever, fizeste um apanhado interessante da desorganização organizada deste país!

      ab

  3. E é assim que por cá se vai apostando na educação pública:
    http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1200715

    Ciao!

    • até admito que haja universidades a mais, cursos e variantes há de certeza.

      o problema deste país é a falta de organização e essa falta existe porque é do interesse de meia dúzia de senhores que a usam para enriquecer, a si e aos amigos e familiares.

      há anos que falaram que iriam produzir um estudo com as necessidades do país relativamente a técnicos e licenciados, ainda hoje estou à espera para o ler.

      um dos exemplos paradigmáticos desta falta de organização é na área da medicina, mais concretamente nos médicos de família, existe uma enorme falta destes profissionais e nada se fez, ainda por cima quando estes profissionais levam muitos anos a ser formados.

      ab

  4. Boas! A desorganização é mais do que evidente e conveniente. Quanto a ser organizada, não sei se o será, tendo em conta a bolha que se está a formar, como um pouco por todo o lado – bolhas e mais bolhas de vácuo!
    Era de esperar há muito o “big bang” na formação superior! Como dizes e muito bem há gente a mais em torno das clássicas e não nas científicas. Lembro-me há uns aos de ler sobre o facto da Siemens portuguesa ter nesse ano admitido para estágio o número total de engenheiros (384) acabados de sair. Perguntei a mim mesmo «como é que pode um país apenas formar 384 engenheiros em cada fornada (5 anos na época)? Mais tarde, numa acção de formação a que tive de assistir, verifiquei como tinha razão. O Engenheiro “orador” provou o quanto estávamos e estamos deficitários em técnicos competentes. Pudera! tudo isto tem uma causa – o ensino básico e secundário, redutor, caduco e bolorento! E a meu ver irá piorar ainda mais e não é por culpa dos profs (há excepções, claro) mas do próprio ME com todos os seus dogmas – populismo e facilitismo! Já no superior podemos imputar o mesmo problema em relação aos diversos responsáveis máximos, quer ministeriais, quer reitores e por aí fora. Só tachos, nada mais!
    Depois, tudo isto está assente no mesmo conceito – neoliberalismo puro e duro – pelo que a maioria de nós não pode esperar mais do que a selva do capitalismo, omisso de valores que não sejam os materiais!

    Infelizmente as maiores vítimas serão todas as gerações mais novas que nada mais têm do que call centers no horizonte profissional. Claro que há excepções (saúde, por ex.) onde as financeiras apostam fortemente, mas atenção os salários dos médicos contratados (outros precários, como os professores) não serão muito mais altos, até porque há que contar com a constante imigração que no fundo tem servido apenas para criar tectos salariais baixos em todo o lado.
    Só as marionetas do capital (por enquanto) se darão ao luxo de ter vidas desafogadas. Tudo o mais é carne para canhão!
    Por tudo isto e muito mais que fica por dizer… os maiores de 23 e estudantes oriundos das ex-colónias “podem” ingressar nos cursos superiores públicos nacionais, dado que são no mínimo, uma espécie de placebo para as hipocondríacas instituições do superior.
    Quanto às necessidades dos Estados-Nações, lol… basta ler o que existe por aqui.
    Fica bem!🙂

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