Desinformando para se ir atacando a liberdade da rede Internet; DDOS na Coreia do Sul e EUA

[update: o Rockefeller mencionado abaixo é John Rockefeller o Senate Commerce Chairman, que afirmou à pouco tempo que “o mundo estaria melhor se a rede Internet nunca tivesse sido inventada”]

[update 2: lembrei-me que já havia por aqui escrito sobre os avisos do professor Lawrence Lessig indicando que Lawrence Lessig indica que existe um i-Patriot equivalente ao Patriot Act]

Hoje o DN está em grande, apesar de esta notícia sobre os ataques DDOS a sites da Coreia do Sul e EUA estar mais equilibrada que a notícia da gripe suína/AH1N1 que mencionei antes, não deixa ainda assim, de ao não informar as pessoas ou por desconhecimento ou por pura desinformação, se tornar numa peça de propaganda contra a neutralidade da rede Internet, que como tudo o resto serve quer para o bem quer para o mal, como seria de esperar, uma vez que é apenas uma extensão da realidade que vivemos.

Mais uma vez o DN recorre às pequenas insinuações para provocar o medo nas pessoas, para que estas aceitem todas e mais algumas leis que violam os seus direitos de privacidade e liberdade de expressão.

Ao acabar de ler o artigo A nova guerra fria joga-se na internet, o leitor menos conhecedor ou menos atento ou preocupado com estas situações que se passam pela Rede, ficará pronto a pedir mais regulação, mais intervenção dos Estados, no fundo mais leis que sem se aperceber lhe irão retirar a sua privacidade que hoje ainda julga ser um dado adquirido.

Está enganado, nem a Rede precisa de mais regulações idiotas nem a sua privacidade e liberdade de expressão são dados adquiridos, ainda para mais quando leis como a HADOPI em França, a Lei do Cibercrime na UE e outros projectos como a ACTA estão ou aprovados e em vigor ou a ser debatidos à porta fechada apenas e só pelos interesses instalados e sem qualquer intervenção dos cidadãos para os quais se irão dirigir esses tratados/leis.

Esta entrada qui no blog serve apenas para demonstrar que existe informação que deveria ter sido mencionada na suposta notícia do DN e que ou por desconhecimento o que pode revelar alguma incompetência da jornalista por não se ter dado ao trabalho de investigar, ou por pura má fé foi colocada de lado e como tal privou assim os seus leitores de terem uma panorâmica mais geral do que se tem passado.

No fundo é um artigo bem à medida daquilo a que David Icke chama de três passos para a aprovação e aceitação de leis restritivas dos direitos dos cidadãos e ainda por cima a pedido destes, é o famoso trio, Problema…Reacção…Solução.

Mas do que se esqueceu então o artigo do DN de mencionar por forma os seus leitores não entrarem em histeria sobre os malefícios da Rede?

Desde logo esqueceu-se de mencionar que a grande maioria senão quase todos os ataques deste género são devidos primeiro que tudo à utilização massiva da monocultura de sistemas informáticos do monopólio microsoft.
Não nos podemos esquecer que num mundo com cerca de 800Milhões de computadores, alguns cálculos de especialistas em segurança informática indicam que cerca de 320Milhões de computadores com os sistemas operativos da microsoft estão transformados em botnets e que é a partir destes que se efectuam ataques a diversos sites e não só.

Cyber Attacks Traced to the U.S., Britain | Threat Level | Wired.com

After gaining control of two of the botnet command and control servers, the researchers examined their logs and discovered that they were in turn contacting the master server in the UK, which was running a Microsoft Windows operating system.

Esqueceu-se de mencionar a senhora jornalista que os ataques partiram de computadores fisicamente no Reino Unido e sabe-se que agora também a partir do interior dos EUA, na Florida.
Mas não só, o ataque segundo o artigo da Wired é bem mais vasto, englobando cerca de 74 países, mas tendo sempre como ponto de partida dois pontos essenciais uma ligação VPN na Florida e um servidor no Reino Unido.

Esqueceu-se também de mencionar a senhora jornalista do DN que este ataque à Coreia do Sul tem muito a ver com a dependência quase total da sua infra-estrutura informática quer pública quer privada estar assente na monocultura que acima menciono.
Cerca de 99% dos computadores (servidores/desktops/laptops etc) da Coreia do Sul correm software da microsoft.
E infelizmente não estão dependentes apenas do sistema operativo em si, mas também de dois enormes buracos que são o ms-IExplorer em conjunto com o ms-activeX (do qual a microsoft tinha conhecimento de uma vulnerabilidade critica há um ano e nada fez até há dias), isto porque a Coreia do Sul nos seus sites seguros usa tecnologia não padronizada como o SSL, em vez disso criou o seu sistema que depende totalmente da tecnologia da microsoft, o SEED.

Mas o tempo que a dita empresa monopolista demora a corrigir vulnerabilidades importantes vai ainda mais longe, há não muito tempo descobriu-se que demorou 7 anos a corrigir mais uma falha critica no seu protocolo de rede SMB, colocando assim os seus clientes e utilizadores em risco apenas e só porque para corrigir essa falha teria de ir mexer noutros sistemas.

O artigo do DN esquece ainda que a Coreia do Sul tem laços muito importantes com os EUA, especialmente no que à indústria militar e de intelligence concerne.
Os serviços de intelligence da Coreia do Sul são no fundo controlados pela CIA, até começaram por ser chamados de KCIA.

E que simpático, que útil, foi agora este suposto ataque às infra-estruturas de TI destes dois países, especialmente quando o dedo aponta logo para o seu inimigo comum, a Coreia do Norte, que pode no fundo muito bem estar por trás dos ataques mas que sinceramente tenho muitas dúvidas.

É que estes ataques serviram os interesses dos EUA, em diversos cenários, quer o do tratado ACTA (que Obama bloqueou a sua discussão e intervenção pelos cidadãos com a desculpa de problemas de Segurança Nacional), quer o da recente investida de Obama com vista à criação do seu CyberCzar por forma a desligar a Rede Internet quando lhe der mais jeito e não nos podemos esquecer da legislação sobre o tema que está a ser preparada e apresentada por um dos senadores Democratas, um dos Rockefeller com vista a controlarem a Rede a seu belo prazer.

Por todas estas razões não creio que a jornalista do DN tenha feito um bom trabalho uma vez que se limitou a fomentar o medo e a propaganda e esqueceu-se do seu papel principal, o de ser uma voz activa na defesa dos interesses dos cidadãos, voz essa que apenas é válida quando realmente se informa e se dá todos ou grande parte dos dados aos seus leitores e depois estes que pensem pela sua cabeça e tirem as suas conclusões.

Um exemplo muito concreto de que o artigo é pura propaganda para gerar o medo está exactamente na forma como a jornalista PATRÍCIA VIEGAS o termina….

A nova guerra fria joga-se na internet – Globo – DN

Muito recentemente houve casos de espionagem na União Europeia, tendo o próprio Alto Representante para a Política Externa, Javier Solana, tido o seu portátil espiado. “Fui submetido a espionagem, durante meses, por uma potência não europeia”, desabafou numa conferência em Madrid. Na assistência, segundo o El País, alguém concluiu: “Se Solana pode ser espiado, qualquer um pode.”

3 Respostas

  1. John Rockefeller: “o mundo estaria melhor se a rede Internet nunca tivesse sido inventada”

    O maior elogio à Internet que já ouvi! Temos de defendê-la com unha e dentes.

    • boas, sem dúvida diogo.

      e os perigos são mais que muitos, desde a hadopi francesa, passando pela lei do cibercrime da UE e já aprovada cá, mas creio que o maior perigo será mesmo o do ACTA e claro não esquecendo estas novas manobras do fantoche Obama e sua corja rockefeller.

      estes ataques que agora com grande probabilidade engendraram têm um objectivo muito concreto, aprovar leis tipo o patriot act mas agora para a rede, aliás agora me lembro que um advogado muito respeitado nesta coisa de rede e de direitos o senhr Lessig já nos havia informado dessas manobras, escrevi isso nesta entrada https://ovigia.wordpress.com/2008/08/07/lawrence-lessig-indica-que-existe-um-i-patriot-equivalente-ao-patriot-act/

      abraço

  2. […] o artigo, os laboratórios de Sandia em Livermore criaram uma experiência por forma a estudar botnets usando para tal GNU/Linux e Wine, o software que emula um ms-windows em […]

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