Quem é o czar da segurança informática da Presidência da República?

[update: Este interessante artigo do CM, merece ser aqui mencionado, “Tribunais: Computadores da investigação criminal são queijo suíço”, no qual se pode ler: “O Citius não é, no entanto, o único problema nos sistemas informáticos
da Justiça.
Relatórios a que o CM teve acesso arrasam a maneira como
foi feita a reforma tecnológica no ministério
, inicialmente assente no
sistema operativo Linux, escolhido pelo ITIJ em 2005.
Nessa altura,
avançou a reforma e foi criado um produto designado por ‘Linius’,
baseado num projecto de divulgação do Linux em língua portuguesa
conhecido por Caixa Mágica.
Este projecto, porém, passou a ser progressivamente abandonado quando o
Governo de Sócrates começou a celebrar protocolos com a Microsoft, em
2007.
“]

O título é um bocado exagerado, mas ao ler as notícias lembrei-me da oligarquia dos EUA e dos czars do Department of Homeland Security e a proposta de Obama para um CyberSecurity czar e não pude deixar de relacionar as duas coisas….

Afinal de contas a NWO está em todo o lado, até nas trapalhadas cá do sítio😉

Mas indo à notícia em concreto, segundo noticiam algumas das centrais de propaganda do putativo engº Sócas, o Presidente da República terá desde o início do verão, eventualmente confirmando as tais suspeitas de insegurança informática, afastado o anterior director da área de informática da Presidência, tendo-o substituído pelo anterior director do CEGER e antigo czar de Durão Barroso para esta mesma área, José Luís Machado Seruya.

Cavaco Silva afastou director de informática no início do Verão – TSF

A Presidência da República reforçou em Junho a atenção prestada aos computadores do Palácio de Belém, criando uma nova unidade, chamada Direcção de Serviços de Informática.

Presidência tem uma direcção de serviços de informática > Política > TVI24

A Presidência da República tem desde há quatro meses uma nova «Direcção de Serviços de Informática», criada através de um decreto-lei aprovado em Conselho de Ministros em Abril e promulgado pelo chefe de Estado no mês seguinte.
(…)
A nova unidade, designada «Direcção de Serviços de Informática», tem como função «planear e coordenar as actividades relacionadas com a estratégia e os sistemas e tecnologias e informação da Secretaria-Geral da Presidência da República, com o objectivo de garantir a sua qualidade e a sua optimização».

Apesar das diversas buscas que efectuei, não consegui encontrar em lado nenhum o Currículo do senhor em causa, segundo a TVI “O responsável é licenciado em Teologia, mas desde os anos 80 está ligado ao sector da informática, tendo passado, entre outras empresas, pela UNICRE, onde foi analista-programador, e pela Companhia de Seguros Inter-Atlântico, onde foi director de informática.”

Após mais umas googladas lá encontrei info sobre o CV do dito senhor.

Nesta actividade da segurança informática é sempre bom contar-mos com toda a ajuda possível e que melhor ajuda do que ter um teólogo, alguém que estuda O Grande SysAdmin dos Universos.

Estranho é que em diversos lados lhe são atribuídos diversos estatutos, nuns lados é engenheiro, noutros é doutor na TVI onde é afirmado que tem uma licenciatura em teologia.
É claro que o homem pode ser tudo isto, mas para o caso interessava é que os organismos por onde passam estas pessoas tivessem informação sobre os curriculos das suas principais figuras.

Pelo CV acima referido não faz qualquer sentido chamá-lo de engenheiro, uma vez que no CV em lado algum está escrito que tenha uma licenciatura ou bacharelato nessa área da engenharia, mas a verdade é que em documentos públicos é diversas vezes designado por engenheiro.

Mas num país onde nem se sabe na realidade quais são as habilitações literárias do Primeiro Ministro, não podemos exigir muito para a restante hierarquia😉

O que podemos saber concretamente é que após ter sido director do CEGER durante o Governo de Durão Barroso, após a chegada ao poder do PS do putativo engº Socas, o teologo/engº/dr José Luís Seruya manteve-se no CEGER até à mudança que terá ocorrido em Abril/Junho, numa Comissão de serviço no âmbito da Lei nº 12/A/2008 de 27/02(LVCR)/Nomeação em Comissão de Serviço Técnico Superior Consultor 3 770 a auferir Montante pecuniário da Remuneração Base de 2 643.33€.

Já agora também é interessante frisar, uma vez que é um dos principais temas deste blog (Software Livre e sua implementação na AP; Transparência na AP), que o senhor José Luís Seruya, até tem uma visão um pouco mais alargada que os habituais técnicos/directores da AP sobre a utilização de outro tipo de software que não o habitué microsoft, nomeadamente neste documento defende a utilização do Openoffice, versão licenciada da SUN Microsystems em detrimento do ms-office.

E porque não dar logo o passo final e passar a usar o Openoffice.org tal como já fazem hoje em dia, desde o Banco do Brasil à Gendarmerie francesa entre outros?!

O Dr. José Luis Seruya (PCM) referiu-se a um pacote da Sun Microsistems, equivalente ao Office, que tem um custo de 100 para 100 licenças, que se torna muito rentável. Diz que as vantagens financeiras são imensas, e as vantagens funcionais são as mesmas.
O Presidente avançou com a proposta de este ser um assunto para próxima reunião: qual a estratégia de implementação de software aberto na AP?
O Dr. Luis Vidigal concorda que a AP deve ter uma estratégia de diversificação; até porque as universidades estão a formar muita gente, e apostando nesta área. Diz que é importante começar-se a ter uma posição pró-activa. Chamou a atenção para a existência de um Guia, publicado pela UE, de transição de software proprietário para software aberto.
http://www.citiap.gov.pt/documentos/sumula22.pdf

Mas será que com tantas trocas e baldrocas o PR se sente mais seguro?

Não é o que deixa no ar um dos jornais da central de propaganda, o JN, que afirma “Na guerra aberta entre Belém e São Bento, o Executivo tenta passar a ideia de que foi Cavaco Silva quem escolheu o responsável informático da Presidência, pelo que não se podequeixar de fugas ou de vigilância aos seus serviços. Belém riposta que a Direcção de Serviços de Informática é uma direcção dependente da secretaria-geral, “um órgão permanente” em que o Presidente cujo pessoal não é escolhido pelo Presidente. Além de que o director José Luís Seruya foi recrutado pela Secretaria-geral, não tendo sido uma escolha pessoal de Cavaco nem sendo alguém da confiança absoluta do Presidente.”

Deixando de lado estas guerrinhas políticas, a realidade é que as redes/sistemas informáticas do Estado são um caos como afirma o Professor José Tribolet do IST, como se comprova na realidade pelas auditorias levadas a cabo por técnicos portugueses, mas acima de tudo pelas notícias internacionais que mostram por exemplo que a Embaixada Portuguesa na Índia serve malware  ou ainda que os sistemas informáticos portugueses, especialmente ao nível de embaixadas poderiam fazer parte do caso divulgado nos media sobre a invasão dos sistemas críticos do Dalai Lama, o caso da Ghostnet.

[http://www.videos.iol.pt/consola.php?projecto=27&mul_id=13169277&tipo_conteudo=1&tipo=2&referer=1]
[http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1376787]
[http://aeiou.exameinformatica.pt/ainda-e-possivel-confiar-na-rede-informatica-do-estado=f1003587]

Administração pública tem sistemas informáticos vulneráveis, alerta INESC – TSF

«Estou indignado porque o estado de fragilidade e de indignidade da operação e do suporte aos agentes diplomáticos portugueses no país e no estrangeiro é inaceitável», alertou, acrescentando que não compreende como é que um estudo que fez para o Ministério dos Negócios Estrangeiros foi metido na gaveta.

«Este problema é muito mais sério do que neste momento se levantou com o Presidente da República», sublinhou, lembrando que há muitos sites da administração pública que transportam «muita informação confidencial».

Lendo o relatório dos especialistas que detectaram esta rede, eis o que eles aconselham às ONG’s, o uso de software livre e  de tecnologia livre e aberta como os projectos SElinux que corre por exemplo nas diversas distribuições de GNU/Linux bem como TrustedSolaris.

Until recently, high-grade MAC/MLS products were not available to normal users and were even export-controlled; but now products such as Trusted Solaris and SELinux are available without restriction. But could a typical organisation use these tools effectively?
    The classical MAC/MLS approach to the Tibetans’ protection problem would start with a system of information classification, as we discussed already. A firewall or mail guard implemented on an SELinux platform might be used to ensure that no secret documents are made available to resources at a lower level, such as a machine on which external email or web pages had been read.
[PDF]

A Alemanha tem vindo a passar toda a sua rede e sistemas informáticos do Ministério dos Negócios Estrangeiros e todas as suas embaixadas para Software Livre, GNU/Linux, usando ainda VPN’s e criptografia como o Software Livre GnuPG e o seu projecto SINA.

DE: Foreign ministry: ‘Cost of Open Source desktop maintenance is by far the lowest’ —

Open source desktops are far cheaper to maintain than proprietary desktop configurations, says Rolf Schuster, a diplomat at the German Embassy in Madrid and the former head of IT at the Foreign Ministry.

E já agora um documento que descreve a implementação dos sistemas das Embaixadas Alemãs usando Software Livre.

Open Source facilitates German world-wide secure network —

In our modern western economies, most people have become used to being connected to the internet 24 hours a day. We browse, mail and chat wherever and whenever we want. The same thing holds for large organisations, which deploy their own intranets to provide internal information to employees. But what if most of the employees work abroad, with a large number in risky or unsafe regions? And what if one security leak in the communication could lead to political scandals?

Termino esta longa entrada com um link para uma história curiosa das cyberwars travadas na wikipedia pelos nossos pseudo politicos cá do bairro!

Assaltos Informáticos Pirataria Governamental?

Pelo que foi apurado pelo blog Zero de Conduta e depois publicado pelo Público e pelo Diário de Notícias, o Centro de Gestão da Rede Informática do Governo (CEGER), da responsabilidade de José Luís Seruya, segundo o registo da Internet, assaltou o site da Wikipedia por várias vezes, e apagou ou modificou parte das inscrições sobre o Primeiro-Ministro e o Ministro Luís Amado. Os actos de pirataria foram denunciados.

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6 Respostas

  1. […] Quem é o czar da segurança informática da Presidência da República? « O Vigia a few seconds ago from Gwibber […]

  2. De qualquer forma o Cavaco está Chéché. Não diz coisa com coisa.

    • Estará ou querem-no fazer de parvo?

      ele não é santo, nem o defendo, para mim todos têm telhados de vidro, por isso mesmo é que nada muda, pq se alguém o tentasse, seria logo avisado desses mesmos telhados.

      mas a verdade é que a maçonaria do PS e a palhaçada dos media de ‘esquerda’ subservientes a essa mesma maçonaria criam notícias encomendadas em vez de se limitarem a factos.

      enfim, nada de novo, apenas me lembrei de escrever a entrada sem grandes objectivos, o único era mostrar que gastamos milhões de euros em software da microsoft e outros qd poderiamos apostar em software livre exactamente como a Alemanha, França, etc fazem.

      ab

  3. Bem que eu avisei o meu irmão para se especializar em teologia. Depois de tantos anos de prática continuada na IBM, poderia agora finalmente candidatar-se a uma direcção de informática e sistemas de redes da PR e sabe-se lá se não comunicaria com os deuses… com Éter, por exemplo, agora que as alterações climáticas andam a deixar todos com uma grande pedra… no sapato, claro.😆
    Eu quero ir para a ilha… ó se quero!
    ‘jokas!🙂

    • boas ana,

      estamos cada vez melhor,não estamos?

      e hoje os pobres dos irlandeses depois de lhes terem feito uma lavagem ao cérebro e de os terem comprado ainda irão tornar com grande probabilidade as coisas bem piores….

      infelizmente já perdi a esperança! mas continuo a lutar com o que tenho e como posso!

      jokas

  4. […] ao buraco que são as redes e sistemas informáticos das entidades Governamentais deste país, tal como afirmou o professor José Tribolet do IST e sobre a sua mais que possível infiltração por uma rede criminosa com origem na China, usando […]

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