Tracebook, Trickbook, Thiefbook ou Facebook? Nascimento de uma fraude com ligações pouco recomendáveis. (I)

Não é de agora que sempre olhei com bastante desconfiança para as redes sociais, quer relativamente à sua génese quer ao modo como funcionam e quem está por detrás delas e muito concretamente à maneira como tratam a privacidade dos seus utilizadores.

Neste conjunto de entradas (em princípio 4) irei escrever sobre o nascimento do Facebook, de quem investiu nele e continua a investir e das suas ligações à Intelligence/Serviços Secretos dos EUA bem como do pouquíssimo respeito pela Privacidade dos seus utilizadores, falta de respeito essa que tem início no conhecimento de que os utilizadores pouco ou nada se interessam pelos Termos de Serviço (TOS) que estas empresas e serviços sempre apresentam.

via Wikipedia

É neste último ponto, a Privacidade, que nos devemos focar, especialmente tendo em conta as diversas afirmações das pessoas que as controlam, afirmações como as do CEO da Google, Eric Emerson Schmidt, quando este afirma que ‘caso tenhamos algo que temos de manter no foro privado então é porque estamos a fazer algo de errado (ou seja, que estaremos a cometer um crime)’ ou do CEO da Facebook, Mark Zuckerberg, quando disse que a ‘época da privacidade chegou ao fim’ e que esta deixou de ser uma ‘norma social’ do nosso tempo.

via Wikipedia

É claro que a história da humanidade por inúmeras vezes demonstra que a hipocrisia reina e estes casos são exemplo disso.
Para estes dois senhores direito à privacidade é só quando lhes diz respeito, uma espécie de ‘façam o que vos digo não façam o que faço’.

Em 2005, o site CNET resolveu fazer um artigo [“Google balances privacy, reach”] sobre Eric Schidt, tendo publicado informação pessoal como, o seu salário, a sua vizinhança, alguns dos seus hobbies/passatempos e doações políticas, que os seus repórteres encontraram exactamente através de pesquisas no Google.
O mais interessante é que o artigo servia exactamente para demonstrar que era possível obter através de buscas na rede muita informação que lá não deveria estar em virtude desta ser de carácter pessoal.

A resposta do CEO da google foi banir os jornalistas da CNET, tendo-os colocado numa lista negra durante quase um ano, até Julho de 2006.

Mais recentemente o mesmo senhor resolveu fechar o blog da sua ex-amante [“Recovery Girl 007”] porque esta mencionava por lá uns quantos detalhes da sua vida privada, chamando-lhe mesmo “Dr Strangelove”😉

Também o CEO da Facebook tem dois critérios no que à Privacidade concerne, os ricos e poderosos como ele têm direito a ela, os vulgares cidadãos não.

Talvez por isso mesmo e fazendo tábua rasa do que falou sobre a ‘Privacidade ter chegado ao fim’, este senhor após as recentes mudanças das politicas de privacidade do seu projecto FaceBook exporem diversas fotos suas no seu perfil dessa rede social, resolveu fazê-las desaparecer.
Ou ainda quando o mesmo senhor resolve forçar a revista 02138 a remover alguns documentos desagradáveis disponíveis no seu site sobre o sr. Zuckerberg.

Apesar de estes senhores e a sociedade da ‘informação’, dos media mainstream/tradicionais que controlam (a verdade é que todos este meios estão na mão de meia dúzia de todos poderosos), fazerem tudo para inculcar estas ideias nas cabeças da maioria de todos nós com grande predominância nas camadas mais jovens da sociedade, a verdade é que o direito à PRIVACIDADE não é uma coisa demodé, de facto trata-se de um dos mais básicos Direitos de qualquer ser humano.

Creio que se as pessoas pararem um pouco para pensar chegarão a essa mesma conclusão, na realidade existem muitas coisas que gostamos de guardar apenas para nós e que isso não constitui crime algum, a verdade é que se não as pudessemos fazer na privacidade, deixariamos de ser humanos, individuos, passariamos a ser apenas um grande colectivo, para quem gosta de Ficção Cientifica seríamos algo como os Borg da Star Trek.

Nós, seres humanos, não estamos a cometer nenhum crime quando vamos à casa de banho, quando fazemos amor com a pessoa que gostamos, quando procuramos um local privado para reflectir ou conversar ou quando escrevemos um mail, uma carta de amor.

Mas não é só uma maneira de nos definir-mos como individuos, como afirma Bruce Schneier, a Privacidade tem também a função de nos proteger de quem está no poder, mesmo que não estejamos a fazer nada de mal, a cometer qualquer crime, a quando da vigilância exercida por esse mesmo poder, por exemplo os Governos.

A seguir….

Tracebook, Trickbook, Thiefbook ou Facebook?

O início….

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4 Respostas

  1. Já somos dois (pelo menos!) a pensar o mesmo… e conhece outros tantos que vão na mesma maré…

  2. […] luz relativamente ao nascimento da rede social Facebook, apos a primeira parte que se encontra aqui, eis a segunda entrada sobre este […]

  3. […] (IV e última parte) Posted on Março 29, 2010 by ovigia Depois das três últimas entradas sobre a rede social Facebook, nas quais descrevi o seu nascimento e as muito possíveis ligações à intelligence dos EUA, […]

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