Porquê votaria eu contra o Tratado de Lisboa?

Já é conhecido o resultado final ao referendo sobre o Tratado de Lisboa levado a cabo na Irlanda, tal como se esperava prácticamente desde ontem, o NÃO ganhou.

Felicito os Irlandeses por tal decisão.

Mas quais as razões que me levariam a não votar neste tratado caso tivesse sido cumprido o que haviam prometido os maiores partidos portugueses, PS e PSD, de levar a cabo um referendo em Portugal?

1º O habitual incumprimento de promessas a que estes dois partidos já nos habituaram.
Prometeram um referendo, depois não o fizeram.
Quanto ao CDS/PP, apesar de nos dizer que queria um referendo, quando este foi a votos na Assembleia, abstiveram-se, porque não votaram contra?

2º A completa opacidade deste tratado, já olhei para ele, tendo-o puxado em formato PDF, não sendo eu da área jurídica, confesso que não percebo prácticamente nada do que este diz.
Não deveria um tratado ser explicito, tal como uma Constituição, um tratado ou constituição feito pelas pessoas e para as pessoas?

3º Este tratado nada mais é que a criação do primeiro Super-Estado a nível mundial, com uma constituição, um governo, um banco central (uma moeda), uma estrutura jurídica, um exército.
Parece que para estes senhores, estas elites, a Democracia é um conceito demasiado perigoso, colocar decisões nas mãos dos povos, nem pensar.

4º Porque razão não houve debates, explicações, sobre o que consistia o tratado, para que serve, o que ganhamos com ele, o que perdemos, a nossa Constituição estaria em causa, etc?

5º Este artigo, de Nile Gardiner, Ph.D. and Sally McNamara, “The EU Lisbon Treaty: Gordon Brown Surrenders Britain’s Sovereignty”, creio que apesar de ser escrito para o povo inglês, explica bem o porquê de se recusar este tratado ou tratados similares.

“Like the rejected constitution, the new Reform Treaty is also a blueprint for a European superstate dreamt up by unelected bureaucrats in Brussels. This time around, however, most of Europe doesn’t get to vote, as democracy is too dangerous a concept for the architects of this grand vision of an EU superpower.”Originally envisioned as a single market within Europe, the EU (formerly European Economic Community) is morphing into a gigantic political entity with ambitions of becoming the world’s first supranational superstate. Already, major strides have been made in the development of a unified European foreign and security policy as well as a supranational legal structure. With the introduction of the euro in 1999, the European single currency and European Central Bank became a reality.

Drafted in 2004, the European Constitution was a huge step forward in the evolution of what is commonly known as the “European Project,” or the drive toward “ever closer union.” With its 448 articles, the constitution was a vast vanity project, conceived in Paris, Berlin, and Brussels, that dramatically crashed to Earth three years ago. Since then, European Union apparatchiks have worked feverishly to resurrect the constitution, coming up with a cosmetic makeover that would make a plastic surgeon proud.

The new treaty contains all the main elements of the constitution, repackaged in flowery language. According to the European Scrutiny Committee, a British parliamentary body, only two of the treaty’s 440 provisions were not contained in the original constitution.[2]

The Reform Treaty paves the way for the creation of a European Union foreign minister (high representative) at the head of an EU foreign service (with its own diplomatic corps) as well as a long-term EU president; both positions are trappings of a fledgling superstate. As European Parliament member Daniel Hannan has pointed out, the treaty will further erode the legal sovereignty of European nation-states, entrenching a pan-European magistracy (“Eurojust”), a European Public Prosecutor, a federal EU police force (“Europol”), and an EU criminal code (“corpus juris”).[3] In addition, countries such as Britain will sacrifice their veto right over EU decision-making in 40 policy areas.”

6º Por causa da maneira como estas elites burocráticas olham para a Democracia, ou melhor desrespeitam a Democracia e os cidadãos que oe elegem.

“A ratificação deverá seguir adiante até alcançar rapidamente a soma dos quatro quintos, para que o Conselho europeu possa logo depois, segundo o artigo 48 do novo Tratado, tomar sua decisão – prosseguiu o
presidente.”

Esta afirmação é do presidente da Itália, Giorgio Napolitano, este senhor quer portanto fazer valer uma regra de um tratado que ainda nem sequer está em vigor, brilhante!!!

“Democracy means having the choice. Dictatorship means being given the choice.” (Jeannine Luczak)
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Hoje sou IRLANDÊS…Parabéns Irlanda deram a resposta que os burocratas da UE mereciam.

Hoje é um dia de festa para todos os Estados Soberanos que compõem a UE.

Hoje também sou Irlandês, ou pelo menos agradeço-lhes do fundo do coração por terem mostrado aos senhores da Europa que não respeitam os cidadãos que os elegeram, que quem manda são os cidadãos e não os comprados burocratas da UE, que se vergam perante tudo e todos, perante mentiras, perante multinacionais, perante grupos fascistas como o Bilderberg.

Hoje para além de achar que o governo irlandês se deveria demitir, também por cá quer o pseudo primeiro ministro quer a Dra Ferreira Leite e o Dr. Paulo Portas (porque se absteve na aprovação no Parlamento, se discordava?), deveriam repensar os seus lugares.

Mentir descaradamente aos cidadãos não pode ficar impune.

Infelizmente é muito provável que os mesmos de sempre e que se dizem muito democratas, mas que nunca aceitam o que os cidadãos lhes dizem com o seu voto, se preparam para o plano B, fazer referendos até que o SIM ganhe.

Extraordinária a democracia destes senhores, pergunto se fosse ao contrário, se o SIM tivesse ganho, se também aceitariam outro referendo.

BBC NEWS | Europe | Irish minister says EU vote lost

Irish Justice Minister Dermot Ahern says substantial vote tallies across the country show the European Union Lisbon reform treaty has been rejected.

BBC NEWS | Europe | Irish minister says EU vote lost

European leaders have said that they have no “plan B” for how to proceed if Ireland’s electorate does vote No.

“If the Irish people decide to reject the treaty of Lisbon, naturally, there will be no treaty of Lisbon,” French Prime Minister Francois Fillon said on Thursday night.